Penso que poucos portugueses conhecerão a origem do termo liberal. A palavra liberal começou a empregar-se em Espanha, nas Cortes de Cadiz, durante as Invasões Napoleónicas. A facção dos representantes pró-constitucionais, defensora entre outras coisas da liberdade de imprensa, foi chamada liberal enquanto que os seus opositores, que recusaram apoiar o que sentiam ser uma reforma profunda do Antigo Regime inspirada pelos franceses contra quem então lutavam, foram designados por serviles. E os serviles, ao longo dos tempos, foram caricaturados pelos progressistas como um bando de acéfalos burgessos, acorrentados voluntariamente aos varais da carruagem do Rei, arrastando-a pelas estradas enlameadas. Hoje sinto que uma grande parte do povo do meu país se tornou servil. Escravos da ideologia, do estilo de vida, do relativismo moral e da diluição da consciência, agarraram nas cadeias da servidão e vá de puxar a carruagem, não a do Rei, mas a dos espectros do egoísmo burguês, do anti-clericalismo serôdio e do nihilismo suicida. Torpemente amparados por uma desenvergonhada, medíocre e sicária Comunicação Social que censura os que verticalmente recusam a canga de toda a panóplia de avatares daquilo a que os senhores do poder chamam progresso e modernidade (que tanto rima com Saúde e Fraternidade!). E:

 

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

 

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

 

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz Não.

Manuel Alegre

 

Mas não podemos perder de vista o Cabo da Boa Esperança:

 

O navio está na praia, naufragado
esquecido das ondas, do bulício dos portos.
Algas e conchas cobrem-lhe o costado,
as flores dos navios mortos

 

Senhores de austera compostura
dizem ao vê-lo apodrecer:
A negação do Longe, da Aventura,
de todo o impossível Querer

 

Mas eles não sabem que à noite o rapazio
junto ao costado poluído vem sonhar
as linhas ideais de outro navio,
em busca de outras praias, em busca de outro mar

 

António Manuel Couto Viana

 

 

Sonhemos com o toque a rebate dos sinos das aldeias que num dia de fero nevoeiro nos junte a todos em frente das Novas Muralhas de Barad-dûr para a destruição definitiva de Mordor. Nunca nos esqueçamos de queRazão, mesmo vencida, não deixa de ser Razão (António Aleixo).

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