“Dai-nos Senhor, o que Vos sobra, aquilo que ninguém quer, nem sequer Vos pedem mas dai-nos, ao mesmo tempo, o valor, a vontade, a força e a fé que temperam a alma do soldado na grandeza da sua servidão”

Trecho retirado da “Prece” do militar das Operações Especiais.

 

O Exército – que há muitos anos está nas lonas – encontra-se agora à deriva desde o assunto mal resolvido da escolha do novo CEME (uma espécie de pecado original); do incidente nos Comandos – não tanto pela morte dos dois recrutas, mas mais pelo processo que se lhe seguiu; dos anteriores eventos no Colégio Militar, a que se deve ainda juntar a ultrapassagem na promoção do Major General Moura – assunto ainda não resolvido – as cabeçadas com a GNR, o seu Comandante e a MAI, mais a saída do anterior Presidente da Protecção Civil e a nomeação do actual – tudo peças do mais fino recorte! – para culminar no incrível “roubo” (?) dos paióis de Tancos e toda a sucessão de eventos que se lhe seguiram, dignos da mais apurada série do “Tom and Jerry”! Agora até é acusado (o Exército!) – Vice – Presidente da Câmara “dixit” – de ser o culpado da má comida servida aos bombeiros nos fogos de Oleiros (ao menos podiam ter enviado as rações de combate importadas de… Espanha).

Já é azar! Falámos atrás do pecado original (enfim, tem havido tantos…), que situamos na substituição do anterior CEME General Jerónimo, que se demitiu, e que melhor teria servido a Nação se tivesse agarrado os colarinhos do ministro e, com ele a um palmo do solo, ter-lhe dito umas quantas à boa maneira paraquedista…

Ora, após a sua saída, consta (repito, consta – quem pode e quiser que o confirme) que os restantes generais combinaram que ninguém iria aceitar o lugar – uma atitude que há muito devia ter já sido tomada – estou a lembrar-me, até, do tempo em que o General Loureiro dos Santos houve por bem abandonar a mesma função…

Ora à última hora (por um processo alquímico que também se conhece mas que não vou expor) o actual Comandante do Exército, terá roído a corda, acabando por ser nomeado. Tudo isto deu origem a um mal – estar terrível e a um ambiente de cortar à faca na cúpula da hoste que é suposto defender o país quando este estiver em perigo.

E, de facto, o país tem sobre ele vulnerabilidades e ameaças grandes que os políticos escamoteiam (ou nem se apercebem) e a população nem suspeita. E a perspectiva é a de piorar não de melhorar… O mal – estar continua e o Exército está há meses com um Vice- Chefe à espera de arrumar as botas, o que acontecerá por dias, e sem Comandante Operacional e Comandante de Pessoal, há meses. Tudo somado representa a situação mais vergonhosa por que passa o Exército, desde a lamentável história do “Batalhão” em cuecas, em Nova Lisboa e a ocupação indecorosa de 2 Omar, no norte de Moçambique, nos idos de 1974/5, a que não fica atrás a cerimónia de Juramento de Bandeira do Ralis, de punho fechado, com a presença do então CEME, um tal de Fabião, de triste memória!

Enfim estes últimos eventos ainda têm a “desculpa” (?!) de se terem passado no tempo da javardice do PREC e do episódio mais vergonhoso de toda a História de Portugal que ficou conhecido como Descolonização…

Olha-se para tudo isto com a maior irresponsabilidade e insensatez, fruto da vereda estreita, pedregosa e mal cheirosa, que leva ao precipício, em que este Regime da III República nos conduziu e colocou. A qual, para além dos defeitos e erros políticos, ideológicos e conceptuais que a enformam, nem sequer tem o menor cuidado com as pessoas que escolhe para a “servir” e continuar.

Parafraseando o Almada, Abaixo isto. PIM!

 

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