O Protocolo está sempre na ordem do dia.

Nenhum encontro entre duas pessoas tem lugar sem se ter em atenção que o protocolo é uma mais valia inquestionável para se atingirem os objectivos daquele acontecimento.

Antes de mais, o Protocolo é pois uma ferramenta indispensável para o sucesso de todas as acções, de todos os contactos, entre Nações, Povos, Organizações e Empresas, ao nível institucional, empresarial, profissional e pessoal.

Em cima da mesa estão velhos hábitos de civilidade e cortesia que marcam a diferença embora, lamentavelmente, tantos outros se tenham perdido. O equilíbrio nem sempre é alcançado e, com frequência, os desequilíbrios provocam incidentes difíceis de ultrapassar, gaffes e situações embaraçosas.

Uma linguagem adequada aos interlocutores e às ocasiões, o cumprimento das precedências e fórmulas de tratamento e o respeito pelas diferenças, são apenas alguns dos ingredientes para uma receita de bem comunicar e comunicar com eficácia.

Pequenos pormenores, aparentemente insignificantes, como os ingredientes que compõem as ementas que são servidas em acontecimentos da mais diversa natureza, os gestos que se trocam, a proximidade com que se comunica, as cores que se usam, têm toda a importância. Descurar qualquer um destes ou de outros detalhes pode ser “a morte do artista”, ou o falhanço total de um encontro.

O Protocolo não deixa, ou não devia deixar, nada ao acaso, mesmo aquilo que aparentemente acontece assim – porque sim.

Estar em dia não é uma necessidade – é uma obrigação.

Saber estar, saber comportar-se, comunicar com qualidade e eficácia  são apenas alguns dos pontos de que vamos falar, que vamos focar, desenvolver e até discordar, discutir e, claro, concluir.

Todas as questões estão a partir de agora em aberto. Não se pretende seguir uma ordem rigorosa nos temas tratados. A área é vasta e dá pano para mangas.

E por falar em mangas – aí está um tema que também tem muito que se lhe diga: o que vestir para cada ocasião para estar bem: conhecer a moda quanto baste e estar dentro dela o indispensável começam por ser dois bons pontos de partida.

E a conversa? A conversa dá para muita conversa: que temas são proibidos e permitidos, onde e quando, porquê? O quê?

E a linguagem? Brada aos céus o que se ouve: o vocabulário é assustador e o português que se fala é de uma incorrecção sem limite. Não é protocolo? Claro que é. Se as pessoas tivessem noção da triste figura que fazem fechavam-se em casa e não abriam mais a boca.

E as maneiras, melhor dizendo, a falta de maneiras é hoje quase uma regra para afrontar o interlocutor.

Mas será que isso resulta?

Há alturas muito importantes, marcantes e decisivas nas nossas vidas em que a nossa imagem vai fazer a diferença.

A Primeira Imagem

A primeira  imagem é a primeira. É preciso dizer mais?

Todos nos lembramos da primeira vez, de muitas primeiras vezes da nossa vida:

– a  primeira escola

– a primeira comunhão

– o primeiro beijo

– a primeira grande noitada

– o primeiro namorado

– o primeiro carro

– (o primeiro casamento)

enfim…

E chegamos à verdade que nem Monsieur de La Palice  diria melhor: as primeiras vezes marcam, marcam sempre. E marcam para o bem e para o mal, definitivamente.

Tenha cuidado. Tenha muito cuidado com a sua imagem em todos os passos da sua vida pessoal e profissional. Pode fazer, faz com certeza, toda a diferença. Não se esqueça que há sempre um “big brother” a reparar em si. E quanto mais global for a irreversível globalização mais difícil é “esconder-se”!

Se não sabe alguma coisa sobre qualquer coisa, se não sabe, por exemplo, como estar, como vestir-se, como cumprimentar, como entregar um cartão, ou o que escrever nele em cada circunstância, não entre em pânico. Não está sozinho, certamente.

Ninguém é obrigado a saber.

Todos somos obrigados a aprender.

Quando falamos de primeira imagem falamos do todo e do detalhe, do pormenor.

Uma gravata mal escolhida pode estragar o melhor fato londrino, um acessório demasiado ostensivo ou barulhento pode dar cabo do melhor tailleur parisiense ou do último modelo italiano.

E que dizer dos sapatos que “ofendem” com tanta falta de graxa?

A não ser que queira mesmo dar nas vistas e brilhar pela excentricidade ou pela extravagância – estou-me a lembrar da postura de um Salvador Dali ou da imagem de uma Almada Negreiros … modere o seu estilo, siga a moda q.b., porque ser discreto é um bom pedaço de garantia para o sucesso.

E, claro, não esqueça os detalhes, sempre os detalhes …

Recomendar banho diário pode parecer completamente desnecessário.

Sugerir um bom desodorizante é – diriam alguns -, um verdadeiro insulto.

Falar de higiene e tratamento da boca é praticamente tabu.

Mas, estes gestos do dia-a-dia são fundamentais, são mesmo imprescindíveis e, infelizmente, ainda não entraram na esfera global …

E há os excessos: de perfume, de pintura feminina, de chocalhar de jóias ou, pior ainda, de berloques!

O tom de voz, os gestos, os tiques, são também pormenores que devem requerer toda a nossa atenção.

A voz educa-se.

Os gestos moderam-se.

Os tiques controlam-se.

Acha que não?

Se lhe cabe alguma destas carapuças (ou não), peça para ser filmado e vai ver o que descobre sobre si próprio … vai ter que penar muito para ficar como acha que é!

E sei do que estou a falar.

Uma das “provações” porque passamos na formação de formadores transforma-nos em protagonistas em duas etapas: uma no princípio e outra no fim do curso.

A experiência é fantástica porque nos aponta erros a corrigir, atitudes a melhorar, falhas a colmatar, na primeira etapa, e, depois, na segunda, dá-nos conta da evolução sofrida – muito sofrida -, com a aprendizagem.

E tem outro lado, emocionante: “descobre” o encanto de alguns dos nossos excessos que devemos preservar custe o que custar.

Siga a sugestão: deixe-se filmar e criticar e faça auto-crítica e vai ver a sua imagem melhorar com toda a certeza …

 

Estar com naturalidade e à vontade (não à vontadinha) em todas as circunstâncias é uma arte que também se adquire e aprende.

 

 

 

 

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